sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O tratamento


Foto tirada hoje aqui no SPA. Já vejo cabelos. rs

Afff, voltei a louca do desabafo né? 
Fiz um post terça e hoje já aqui de novo. Mas é que estou num lugar que me inspira, vim passar 5 dias num SPA... aiiii que chique!!! Não, não é chique coisa nenhuma, é gorda mesmo! hahahahaha
Pois é, engordei 25 kg no primeiro tratamento, aí quando comecei a perder, veio outro tratamento, aí ferrou né? 
E não é só pelo corpo, dessa vez foi muito mais pesado (literalmente hahahaha), mais intenso, mais forte, fisicamente e psicologicamente. Então vim tirar uns dias pra mim, pra minha cabeça e pro meu corpo. Afinal, "eles" merecem não é? Sofreram demais e aguentaram até o fim, se comportaram direitinho.
Outra coisa é exercício físico. Meu corpo simplesmente enferrujou, principalmente as pernas, então aqui o legal é isso, aos pouquinhos estou conseguindo andar melhor, me mexer, as dores vão passando, enfim... precisava desse tempo comigo mesma!
Mas não estou de férias, então trouxe o computador e estou trabalhando por aqui.
Dessa vez o tratamento foi um pouco diferente da outra (4 químios + 1 cirurgia + 3 químios), agora foi primeiro a cirurgia para retirada desses "pózinhos" intrusos que estavam soltos pela barriga e depois mais 6 químios a cada 21 dias.
A cirurgia foi ótima, recuperação boa, mas eu ganhei um presente. Foi colocado um cateter no meu umbigo, o canal por onde seria feito um dos 3 remédios de químio, ou seja, a cada 21 dias, eu faria a aplicação normal pela veia do braço com 2 remédios quimioterápicos e mais esse remédio que seria injetado direto no meu umbigo por esse cateter (horrível por sinal). Óbvio que não sei explicar muito bem, mas numa linguagem bem simples, esse líquido não passaria pela corrente sanguínea e sim iria direto na cavidade, ou sei lá onde. Só sei que imagino uma água molhando toda região do ovário e limpando tudo.
Passando alguns dias da cirurgia, no dia do aniversário do DD, fiquei o dia todo com muita dor na barriga e febre. Dor de chorar. Fui correndo para o hospital e descobri que estava com uma infecção interna, causada pelo próprio cateter. Eu que já estava BEM FELIZ com ele, fiquei mais ainda. rs
Resumindo, foram 10 dias internada para curar essa infecção. Esses dias mexeram comigo. 
Meu emocional deu uma abalada forte, nessa hora senti medo do que podia acontecer, me senti sozinha, sem nada pra fazer, recebendo agulhadas o dia todo, senti o DD triste, preocupado e distante, ficar 10 dias deitada, sem forças para andar, muito fraca, com muita dor, não foi fácil.
Mas tinha minha fiel escudeira ao lado. Minha mãe que ficou os 10 dias comigo, firme e forte. OBRIGADA MÃE!!! Sem você, sei lá!
Saindo do hospital, fui fazer a primeira sessão de químio. Chegando lá, mais uma surpresa... o cateter não funcionou. Provavelmente por causa da infecção, ele criou como se fosse uma "capa protetora" que entupiu a saída do líquido dentro da barriga.
(Só um adendo, eu nessas horas fico imaginando a cara do Dr. André e da Dra. Andréa lendo meu texto e surtando com minhas explicações hahahahaha)   
Enfim... mudança de planos. Vamos tirar o cateter do umbigo (GRAÇAS A DEUS) e fazer tudo pelo jeito normal, pela veia.
E assim foi...
Agora vou dormir, amanhã continuo falando do tratamento, pois minha barriga começou a roncar e a única coisa que tenho aqui no quarto é água e isso nunca matará a fome de uma gordinha.  
Antes só queria agradecer demais pelo tanto de carinho que recebi por ter voltado pro blog. Nossa, fiquei emocionada demais e aproveitei o dia de hoje Thanksgiving (Dia de Ação de Graças), para agradecer MUITOOOO. Agradecer a Deus pela vida, e por ter pessoas queridas como cada um de vocês que perderam um tempinho aqui. O B R I G A D A !!!!   

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O bom filho à casa torna!!!

Minutos antes de raspar novamente o cabelo!!!
                              
Olá! Olá! Olá!
Estou de volta e agora acho que é para ficar. Pois é, sinto falta de meus desabafos por aqui, sempre me fizeram bem, como se fosse um diário de quando éramos crianças e adolescentes. Cada texto que escrevia, me sentia mais leve, mais forte.
Então por que parou de escrever sua tonta? Hahahahahaha
Também não tinha essa resposta até ler agora novamente meu último “post”. Durante todo o tratamento, muitos sentimentos passaram por minha cabeça, e naquele momento, quando tudo acabou, o sentimento era de medo da volta do câncer. E assim, eu acho que preferia fugir do assunto e de tudo que me fizesse lembrar do período de tratamento.
Mas como sou a favor da gente fazer apenas aquilo que temos vontade, parei aquela época, pq não queria mais escrever, mas agora a vontade voltou e aqui estou!!! :)
Vamos lá, o último texto, escrevi em abril de 2015. Depois disso fiquei um lindo período vivendo super bem e feliz. Trabalhando, curtindo amigos, família, meu parceiro DD, cuidando da alimentação, fazendo exercícios físicos e meus acompanhamentos certinhos com meu onco e minha gineco.
Quando em novembro de 2015, em um dos exames, o resultado não foi como eu queria que tivesse sido. Pois é... uma bolinha intrusa apareceu na minha barriga. Graças a Deus em nenhum órgão, mas ela estava ali, na região do ovário (que eu nem tenho mais).
A reação não tinha como ser diferente, noite chorando, apavorada de medo, rezas, mil perguntas, etc...
Fiz uma pequena viagem com o DD para acalmar o coração e tentar entender o que estava acontecendo.
Precisei fazer alguns exames, esperar um pouco para ver como essa “bolinha” estava reagindo em meu corpo e em fevereiro de 2016 foi confirmado que era uma recidiva (que é o reaparecimento da do-ença).
Se eu disser que meu mundo não desabou, estarei mentindo. Sim! Desabou total. Poxa, de novo? O que eu fiz? Onde vacilei? O que o Papai do céu está querendo me mostrar? Agora não terá saída, vou morrer! E agora, minha vida será para sempre assim? Só tristeza? Só tratamento? Acabou minha vida? Mas e meus planos? E meu cabelo que já está lindo, forte e comprido? E o processo de adoção que entramos? O meu noivo não vai aguentar mais uma vez, será melhor eu terminar? E agora estou sem meu pai, será muito mais difícil. Tadinho do meu irmão e mãe, eles não merecem passar por tudo isso de novo!
Essas questões, não são apenas dúvidas que se passam na cabeça, são marteladas 24 horas por dia, marteladas fortes, constantes, continuas... que machucam demais. Foi horrível.
Mas como da outra vez, me permiti esses dias de “luto” para depois me reerguer.
E assim foi... mais uma vez fui ESCOLHIDA PARA OUTRO RECOMEÇO.
Hoje, já terminei o tratamento pesado e faço apenas a manutenção que vai até 2018. Estou super bem, mas aos pouquinhos vou contando como foi o tratamento dessa vez, que foi bem mais difícil do que o primeiro.  Psicologicamente e fisicamente falando.  
Estou feliz por voltar a me “expor” por aqui. Me coloco a disposição para ajudar quem está passando por isso, ou não também, apenas quem quiser conversar ou desabafar, estou aqui. :)

Obrigadaaaaaaaa pelos ombros e ouvidos (ou melhor, olhos né?? Rs)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Vamos virar a página???

Olhem o tamanho desse cabelo!!! A vida voltando ao normal


Oieeeeeeeeeessss!!!
Sete meses sem aparecer por aqui, e vim explicar o "pq".
Em dezembro terminei minhas aplicações de Avastin, ou seja TERMINEI O TRATAMENTOOOOOOOO!!!!! Uhuuuuuuuuuu
Aí meu médico anjo, Dr. André Moraes, disse pra eu tirar umas férias, passear um pouco e voltar com ele só depois de 3 meses pra fazer o acompanhamento. 
Fiz exatamente o que ele mandou... Tentei esquecer um pouco tudo o que passei, fui com o DD visitar meu irmão e minha cunhada, fomos pra Disney (melhor lugar possível pra fugir da realidade), voltei renovada e feliz.
Teria que voltar na consulta (oncologista) em março, com os exames em mãos, o PET-CT e exames de sangue (aqueles milhares de potinhos, que parece que vai acabar o sangue que existe dentro de vc hahahahaha).
Nessa fase não escrevi aqui pq minha energia não estava muito boa não. O medo dos resultados desses exames voltou a me perseguir, fiquei tensa, imaginando mil coisas ruins, pois foi a primeira vez que fiz exames depois que terminei o tratamento e isso nos deixa muito insegura. 
A quimioterapia é horrível, mas não podemos negar que é uma segurança de cura pra gente.
Fiz todos os exames, chorei antes, durante e depois deles. hahahaha
Entrei na sala do Onco chorando de nervoso, ele abriu o resultado, disse que estava tudo perfeito, que não havia nenhum foco da do-ença em mim e aí que chorei mais ainda hahhaahahhaah Mas dessa vez de emoção :)
Agora minha rotina durante alguns anos será essa: 
A cada 3 meses: oncologista, exames de sangue, cardiologista.
A cada 6 meses: ginecologista
A cada 1 ano: Pet-Ct
Super tranquilo né? 
Estou muito feliz que estou bem. Aliás estou ótimamente bem, saudável, fortinha, muito acima do peso também, mas aos pouquinhos volto ao normal. rs
Chega de lenga-lenga, vim aqui pra falar que esse será meu último post. 
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA 
Pois é... eu comecei a escrever esse blog quando fiquei sabendo que estava com câncer, antes mesmo de começar o tratamento.
Ou seja, o objetivo desse blog foi fazer um diário sobre o que se passava na vida de uma pessoa com essa do-ença. Pra dizer a quem estava passando pela mesma situação que "TAMO JUNTO MANO", pras pessoas próximas (amigos e familiares) saberem tudo o que estava acontecendo pela minha "boca" e principalmente como forma de desabafo. Realmente me fez muito bem receber tanto carinho, amor e energia de vocês que tiveram paciência em me acompanhar por aqui. 
Se o objetivo era escrever sobre o câncer, qual a razão de continuar escrevendo? Sendo que isso já não faz mais parte da minha vida?
Foi uma fase dura, difícil, triste, mas muito importante pra mim. Fase onde amadureci bastante e isso ficará aqui dentro pra sempre.
Só tenho a agradecer por essa oportunidade que tive em recomeçar, em olhar a vida por um outro ângulo, mais colorida, mais simples e fácil. 
Mas agora chegou a hora de colocar um ponto final, pois acredito demais que a vida é como um livro, a gente lê toda a história e quando acaba, o fechamos, colocamos numa estante e ponto, acabou. Tudo o que li ficará dentro de mim guardado, mas agora será um novo livro, nova história, com novos personagens...
E é isso que vou fazer. Colocar um ponto final, tudo o que passou não apagará (e nem quero isso), mas vou fechar essa fase pra abrir outra, muito mais alegre e gostosa. 
Com a certeza que terá um final feliz como esse... pois como digo: FUI ESCOLHIDA PARA UM RECOMEÇO!!!! 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PALAVRA DO DIA: PACIÊNCIA!!!



Uma quarta feira normal, como a cada 21 dias que vou ao COC (Centro de Oncologia Campinas) passar por consulta, exame de sangue, de urina e receber amor em forma de AVASTIN pela veia.
Tudo seria tranquilo se minhas veias colaborassem, maaaassss... fura, pica, procura, dói, machuca, machuca mais... 
Já no exame de sangue saí com o braço doendo e todo roxo, vai pra Químio e a mesma coisa... até que deu certo, que alívio!!! 
Fico lá 40 minutos sem nada pra fazer, pq hoje a sala estava vazia sem ninguém pra conversar, tento ver TV, mas o que está passando? Políticaaaa que eu odeioooo... 
Acabou o remédio e a enfermeira vem colocar o sorinho só pra limpar a veia e o que acontece? Começa inchar minha mão e a arder muito.
Agora estou aqui sem mexer o braço direito de tanta dor. 
Acho que estou cansando dessa brincadeirinha de químio. 
Haja PACIÊNCIA!!!!!!!!!!!!!! Haja o que???  O que isso significa???  
Hoje esqueci totalmente o significado dessa palavra... fui pedir ajuda ao Sr. Google, pra ver se me refrescava a memória.
Segundo o Wikipédia, PA-CI-ÊN-CI-A:

"É uma virtude de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo. Consiste basicamente de tolerância a erros ou fatos indesejados. É a capacidade de suportar incômodos e dificuldades de toda ordem, de qualquer hora ou em qualquer lugar. É a capacidade de persistir em uma atividade difícil, tendo ação tranqüila e acreditando que irá conseguir o que quer, de ser perseverante, de esperar o momento certo para certas atitudes, de aguardar em paz a compreensão que ainda não se tenha obtido, capacidade de ouvir alguém, com calma, com atenção, sem ter pressa, capacidade de se libertar da ansiedade. A tolerância e a paciência são fontes de apoio seguro nos quais podemos confiar. Ser paciente é ser educado, ser humanizado e saber agir com calma e com tolerância. A paciência também é uma caridade quando praticada nos relacionamentos interpessoais."

Pois é senhor Google... devia ter te procurado hoje de manhã. 
Vamos ver se aprendo agora a ter e a conviver com essa tal de PACIÊNCIA.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Juntas, fomos e somos mais fortes!!!


Carla, Bruna, Flávia, Mari e Maria Laura. As cinco na corrente da cura!!!

Em janeiro de 2013, escrevi um post sobre AMIGOS pra dizer que realmente tenho muita sorte em ter por perto tantas pessoas queridas e especiais.
Tenho muitos amigos e amigas de verdade, que me ajudaram demais a passar por toda essa fase chatinha.
Mas hoje vim falar especialmente de quatro pessoinhas, ou melhor, Franguinhas. rsss 
Quem acompanha o blog vai lembrar, das amigas que mandavam "presentinho de químio", a cada sessão uma surpresa linda! Pois é... são essas gatas aí. 
Bruna é amiga há 31 anos, dizem por aí que já aprontávamos juntas de dentro da barriga de nossas mães quando elas estavam juntas.
Carla é minha amiga há 12 anos, apareceu através de outro amigo que amo e não teve como, mais uma irmã pra coleção. 
Flávia e Laura, são minhas amigas há 12 anos também, nos conhecemos na faculdade, e moramos juntas por 4 anos no APÊ DAS FRANGAS. Minhas eternas daminhas. 
(Tenho que colocar em ordem alfabética e escrever do mesmo jeitinho sobre cada uma senão o ciúme rola solto aqui viu? hahahahaha  Mas elas sabem que o espaço de cada uma dentro do meu coração é exatamente do mesmo tamanho).
Com o tempo, elas se conheceram através de mim e ficaram amigas também, mas como moramos cada uma em uma cidade, dificilmente estávamos as cinco juntas. 
Assim que ficaram sabendo que eu estava com câncer, elas se uniram numa só força, no amor, na corrente do bem e venceram comigo, pois JUNTAS SOMOS MAIS FORTES.
Minhas franguinhas, amo demais, sabem que sou louca por vocês e faço qualquer coisa pela felicidade das quatro. Obrigada Deus por colocar essas anjas ao meu lado, cuidaram de mim direitinho!! rsss  
Melhor deixar que elas contem um pouquinho do lado da "amiga de uma paciente", que de verdade, não é nada fácil também. 
Vê se eu me aguento com os depoimentos de cada uma. 
obs: Vale chorar ok?? hahahaha
                                                

“Tão longe, tão perto”

Por Bruna, Carla, Flávia e Laura

Campinas, Pinda, São Paulo, Santo André, Santos, Praia Grande, Franca, Ribeirão Preto... Cinco corações espalhados, cada um em um canto, unidos por uma causa, uma força, um desejo, um objetivo: a cura da Mari. Não foi fácil driblar a distância física em um momento em que o que mais queríamos era estar perto, pegar no colo, fazer a dor sumir, mandar o pesadelo embora.

Cinco personalidades diferentes, relações diferentes, reações diferentes, o mesmo amor. Desde o começo, quando a Mari contou sobre a descoberta da do-ença, durante todo o  tratamento até a notícia da cura, desenvolvemos uma energia positiva que nos embalou e ensinou uma lição pra vida inteira: “juntas somos mais fortes”.

Foi uma união bacana e uma aproximação muito legal entre a gente nesse período. Temos certeza de que isso nos “ajudou a ajudá-la”, pois quando uma não tinha força, sabia que outra de nós estaria de prontidão... E, sem querer, de uma ideia inocente de agradá-la em um momento de tensão, que foi a primeira sessão de químio, nasceu um compromisso que levamos adiante, de sempre enviarmos um “mimo” pra ela se sentir lembrada nessas horas chatinhas. A cada presentinho que ela recebia – flores, chocolates, lenços... –, eram as cinco juntas naquele momento, mesmo que por alguns segundos... dando força, mandando energia. E assim foi... até a celebração da cura!


BRUNA
                                                                           
“Quando fiquei sabendo precisei ser amparada por ela! Não sou uma pessoa que aceito fácil doenças e possíveis perdas, em especial de uma das pessoas que mais amo na vida.
Ela me disse: 'Fique calma! Vai ficar tudo bem e vamos vencer isso!'. Se disser que fiquei mesmo calma estaria mentindo... Mas aceitei e enfrentei por ela da melhor maneira que pude.
Escondi meu sofrimento e meu choro por diversas vezes, pois imaginava que aquela garra dela poderia ser abalada... Mal sabia!... No período de tratamento, das quimioterapias, da perda de cabelo percebia que eu sofria mais do que ela própria.
Não foi fácil pra ela! Não foi um período tranquilo! Não foi uma 'fase ruim' que depois passaria! Aquilo era a luta pela vida! E uma luta muito injusta, em minha opinião. De remédios pesados, dores físicas, cansaço mental, uma energia ruim contra a minha pequena Mari.
Só que eu estava enganada... Ela não é minha amiga pequena e frágil. Aquela que chorava para depilar a perna e fazia escândalo para tomar uma injeção. Desde que soube pelo que teria que passar se transformou na maior guerreira que eu já vi na minha vida.
E essa luta, até então vista como injusta por mim foi uma luta de 'igual para igual'.
Ela ganhou! Ela saiu vitoriosa disso tudo!
Percebi que meu sofrimento de nada precisou... Era só o apoio mesmo que ela precisava. Das energias positivas cada vez que ia para a sessão de quimio. Das rezas infinitas enquanto era operada. Da minha amizade e do meu gigantesco amor por ela.
De tudo, o que ficou foi a lição. A lição de que Deus só nos concede o fardo que somos capazes de carregar. Nada mais! O fardo da Mari foi muito pesado e ela nos ensinou que já que não temos opção de escolha, devemos passar por isso da melhor maneira possível. E conseguiu enxergar o lado positivo de tudo! Muito mais do que todos nós que estávamos em volta... Passando por isso por tabela.
Hoje ela é mais do que nunca meu porto seguro, onde corro quando tenho qualquer tipo de problema, de tristeza, de dúvida... E por que? Só para poder ouvir da voz dela me dizendo: 'Fique calma! Vai ficar tudo bem e vamos vencer isso!'.
Essa frase NUNCA MAIS saiu da minha cabeça.”

  
CARLA

“'Sabe aquele teratoma benigno e inofensivo? Então, bem, na verdade, é câncer'. Até hoje não sei explicar se foi a calma e a serenidade com que a Mariana me deu essa notícia, mas desde aquele dia eu sabia que ia ficar tudo bem. Era só uma questão do bom e velho tempo, aquele aliado filho da mãe que nos acalma e mantém em desespero em todos os perrengues dessa vida.
É óbvio que essa certeza não evitou o choro escondido, o desespero e a sensação de impotência ao vê-la descobrir que não poderia realizar o sonho de ser mãe, ter que raspar o cabelão gigante, ficar enjoada depois da químio, sentir dor, e eu não podia fazer nada!!!!
Mas maior que tudo isso foi testemunhar uma transformação, por dentro e por fora, que ensinou – e continua ensinando – muito marmanjo a encarar a vida com outros olhos: Foco, Força e Fé!
E ela venceu! É o meu orgulho! Foi escolhida a dedo para vir a esse mundo e inspirar as pessoas com sua história de guerreira de fé e vitoriosa. E eu só tenho a agradecer a Deus por ter o privilégio de tê-la em minha vida e poder chamá-la de amiga-irmã.
A dor passou, o cabelo voltou a crescer e a gente aprendeu que ser mãe não é necessariamente gerar um bebê. Na verdade, a gente aprendeu muito mais que isso. Que, às vezes, é preciso passar um perrengue ferrado e ter a confiança de que o que está por vir é muuuuito melhor. E valorizar quem te ama e, de alguma maneira, está sempre por perto.
A você que está lendo esse blog em busca de uma resposta sobre como reagir diante de uma notícia-bomba com alguém muito querido, preciso lhe dizer: não tem segredo, não tem manual, não tem fórmula mágica. A única coisa nesse mundo que vai te mostrar como agir em uma hora difícil como essa é o amor. O resto vem naturalmente. Cada um reage e se expressa de um jeito diferente. E não existe mais nem menos quando o que você tem a oferecer é genuíno e gratuito. Seja lá quem estiver passando por essa barra só espera que você seja você mesmo.”


FLÁVIA
“Há cerca de dois anos, recebia uma ligação chocante e que me deixou arrasada. Minha amiga querida, minha frangona, estava com câncer.
'- Oi? Câncer? Mari, melhor procurar outros médicos, não é possível! Ninguém com 30 anos tem isso!' Ela já logo respondeu: '- Fran, é câncer. Sei há um mês. Vou ter que tirar tudo. Mas não é o fim do mundo e vai dar tudo certo'.
Minha reação foi péssima, liguei para minha mãe e para a Laura aos prantos, fiquei mal uma semana... Por um tempo achei que ela estava 'se fazendo' de forte, que a ficha ainda não tinha caído... Mas não... Só começava a grande lição que ela nos deu e nos dá a cada dia. A força era para vencer e para viver.
Nunca me esquecerei do INCRÍVEL Réveillon em Santos, na casa do super querido Edgard, aquela energia boa, todos juntos e unidos em pensamento positivo para enfrentar a barra que seria 2013. Nesse mesmo final de semana, a vi sem a Zaca (apelido carinhoso que dei à prótese capilar que ela usava, Zaca de Zacarias, para quem ainda não entendeu, hahaha). Ela estava tímida, não queria que ninguém a visse careca e eu fui, a apoiei, disse que era a careca mais linda do mundo e fui correndo pro banheiro chorar escondida. Não é fácil ver quem você ama sofrendo, com dor... E ela não merecia aquilo tudo... Fiquei muito revoltada, confesso. Mas aprendi MUITO também...
Mari, o exemplo que você me deu de coragem, garra e vontade de vencer e ser feliz, me ajudou muito mais do que você imagina. Revolta, tristeza e pessimismo nada nos trazem de bom. Se sempre agora eu conseguir enfrentar minha vida, pelo menos 10% de como você vive a sua e enfrentou tudo isso, ficarei muito feliz.
Sabe aquele ditado? Transforme a crise em oportunidade? Mari soube como ninguém tirar grande lições disso tudo e ainda teve força para ajudar quem precisa através do blog e de suas palestras. 'Ídala' ou não? É a minha. E das grandes! Te amo!

MARIA LAURA
“Mariana! Sempre chamei a Mari de Mariana! Deve ser porque a gente quase não se matava, né; mas logo passava, porque a amizade prevalece quando é verdadeira! E eu adoro chamá-la de Mariana!
Na noite do telefonema, foi uma surpresa, que delícia receber uma ligação de uma amiga, ainda mais nos tempos de hoje, em que tudo é face, whats, e-mail, e eu não tinha um telefone bom pra ter o tal do facetime (lembram? motorola com flip!). Mas naquela noite não era uma boa notícia, não foi. Foi difícil acreditar e entender o que ela falava: 'oi? como assim? tá Mariana, não entendi...' Depois de alguns minutos, sem ar, e a pergunta: mas por quê? Chorei. E pra quem me conhece de verdade, sabe que não sou de chorar.
Bom, depois disso tudo, eu pensei: Meu Deus, vai dar tudo certo né! A Mariana nos surpreendeu, com sua força, coragem e fé. Ela demonstrava essa fortaleza porque talvez sabia o quanto é difícil para as pessoas ao seu redor passar por isso. E venceu. Essa do-ença não sabia com quem estava se metendo, e eu sei bem viu!
Talvez a Mariana nesse período de quimio, cirurgia, consultas e mais consultas, pode ter pensado que estive um pouco ausente, mas não teve um dia sequer em que não pensei nela, e rezei. Rezei muito, acreditei, tive fé. E fui acompanhando cada passo, cada vitória, cada palavra que ela escrevia, cada presente das frangas, e eu abria um sorriso grande quando ela postava no face com foto e tudo: eeeeee, recebeu mais uma dose de amor, de carinho... e isso me deixava muito feliz.
Mari, poderia escrever mais um monte de coisas sobre esse período, dessa página virada da vida, mas o mais importante que tenho a dizer é: obrigada! Agradeço pelo aprendizado de fé, persistência, amor, coragem e amizade de sempre pra sempre. Juntas somos mais fortes. Um beijo grande!”

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Dia Mundial do Câncer de Ovário!

Com o presente mais fofo!!!


No dia 8 de maio é celebrado o DIA MUNDIAL DO CÂNCER DE OVÁRIO. 
Eis que chego no escritório hoje e em cima da minha mesa uma surpresa que chegou pelo correio: Um presente lindo do Instituto Oncoguia. 
Antes de abrir já fiquei emocionada pelo carinho que eles sempre tem comigo, quando abri então... Echarpe VERDE ÁGUA, que é a cor do câncer de ovário. (Como o rosa é de mama, azul de próstata etc.). 
Eu não me aguento com esse tipo de carinho!!! 
Na primeira foto, coloquei na cabeça, que era o jeito que usava, e que aliás fiquei um tempo pra colocar viu, perdi a prática hahahahah colocava em 2 segundos e hoje pra tirar a foto demorei uns 5 minutos. :)
Na segunda é como vou usá-lo agora, no pescoço, no ombro... 
Obrigada a toda equipe Oncoguia. Como disse esses dias, vocês me ajudaram e apoiaram durante meu tratamento, me ajudaram como filha de paciente com meu pai, e agora me ajudam no pós tratamento. OBRIGADA DE CORAÇÃO E COM MUITO AMOR.
Meninas, não canso de falar, façam sempre exames preventivos, peça ao médico de vocês. 
"O CONHECIMENTO SOBRE OS PRIMEIROS SINAIS DA DOENÇA PODE SALVAR VIDAS, POR ISSO É MUITO IMPORTANTE ESTAR ATENTA AOS SINAIS E SINTOMAS PARA TER UM DIAGNÓSTICO NA FASE INICIAL DO CÂNCER."    

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Vida pós tratamento



Pensei que minha última quimioterapia, que por sinal dia 16 de maio faz 1 ano, fosse também o dia em que minha vida voltaria ao normal, que fosse como um livro: acabo de ler, fecho, guardo no armário e pronto... ACABOU!
Mas me enganei, não é bem isso o que acontece.
Hoje, após 1 ano de minha última quimioterapia (não de tratamento, pois ainda recebo a cada 21 dias uma medicação de manutenção), percebo, que assim como os livros deixam aprendizados de suas histórias, o câncer não acaba de um dia pro outro... se é que um dia acaba...
Não digo a do-ença em si, pois graças a Deus estou curada, mas o que ela trás na bagagem.
Aspectos físicos e psicológicos estão sendo os mais difíceis de lidar.
Muito se lê, se fala, se comenta, se estuda e se preocupa sobre o período de tratamento, cirurgia, quimioterapia, radioterapia, sobre a alimentação nessa fase, mas pouco ou quase nada se fala sobre o pós.
Os medos, as dores, a ansiedade, o acompanhamento, a fraqueza, e muitas outras coisas.
Eu convivo com isso hoje, tenho dores que jamais havia sentido, não é fácil fazer exercício físico, não é fácil caminhar, dançar, subir escada, ou qualquer esforço maior. A falta de ar, a taquicardia, é comum quando me arrisco em alguma atividade.
E o medo? Aiii o medo!!!
Medo de passar por tudo isso de novo, medo do câncer voltar a surgir, medo da morte, medo a cada exame feito, qualquer dorzinha, qualquer mal estar já acho que é essa do-ença dos infernos novamente.
Sei que é encanação, mas a cabeça as vezes fraqueja. 
Pensei que fosse loucura minha, mas hoje mesmo, conversando com uma amiga que está passando pelo tratamento me disse o mesmo, que tem também esse medo, então acho que é geral, né?
Uma pena não ser tão trabalhado e comentado como as outras coisas. Quando percebi que o medo também fazia parte da vida dessa amiga, pude ver que não sou estranha e sim que acontece com todo mundo. De uma certa forma me tranquilizei em saber que é normal, e resolvemos juntas lutar contra mais esse obstáculo, e é ÓBVIO que vamos VENCER!!!