Bom diaaaaaaa!!!!
Tudo bom???
Por aqui tudo bem.
Depois de quase 10 meses sem escrever, hoje acordei com as mãos coçando de vontade.
As 6:00 horas fiz aquela rotina básica e louca de preparo para a escola das crianças e quando saíram com o papai, vim correndo abrir o computador.
Em primeiro lugar, dizer que meu tratamento acabou em abril e estou ótima!!! Venci o CA pela terceira vez. (já está na hora do senhor entender que aqui não tem chance né??? rs). Escrevo isso pq a ultima vez que postei estava no começo da químio e não escrevi mais, e recebo e-mails perguntando se estou viva. hahahahaha (parece mentira, mas é verdade!)
Agora queria falar sobre algo que mexeu MUITO comigo essa semana.
Ainda não li o livro da minha irmã de alma Cecília Sarinho, "O Milagre do Amor", sobre adoção, mas ela postou no insta esse pedacinho e vou confessar que mexeu comigo demais.
Muito verdadeiro...vieram cenas em minha mente, chegou no coração e transbordou nos olhos por aqui. É muito forte isso, algo que não tem explicação.
Hoje, após 2 anos e 5 meses que minha família se formou, as coisas estão encaixadas, o vínculo foi criado, a segurança dos meus filhos em saber que não serão abandonados novamente por uma família, tudo entrou na linha... mas o começo não é fácil, muitas feridas de todos os lados. Neles e em nós papais tbem. (Pois eh... não é fácil ter como maior sonho ser mãe, e não ter um útero).
Foram meses e meses para essas feridas se fecharem e dar espaço para o amor, elo, vínculo, união, segurança... (claro que temos muitas ainda, mas estamos focados em tratar, amenizar e se Deus quiser, curar).
Paciência, ajuda de profissionais, grupo de apoio à Adoção, e o principal, a parceria que eu e o DD criamos. Essa sem dúvida, pra mim, foi a melhor decisão.
Não digo sobre nós dois como casal, pois isso já é um outro tema mais complexo hahahahaha mas sim como pai e mãe de 3 crianças que chegaram literalmente de um dia para o outro em nossa vida.
Tivemos que montar uma parceria forte para um segurar a barra do outro. Com muita conversa, decisões, desabafos, dúvidas, enfim... tudo para encarar esse mundo novo que estávamos vivendo. Afinal, muito se lê em google, instagram, facebook, livros sobre maternidade, como cuidar dos filhos, alimentação adequada para cada fase do bebê, fases do desenvolvimento, higiene, escolaridade, etc etc etc...
E meus filhos que não se encaixavam em nenhuma fase???
Minhas filhas com 2 anos, com peso e altura de um bebê de 6 meses, não conseguiam andar direito, correr então, nem se fale. Não pulavam, falavam só umas 3 palavras. Mas ao mesmo tempo, já comiam de tudo, enquanto algumas amigas davam sopinha amassada para os filhos da mesma idade.
Meu filho com 5 anos, não reconhecia nem mesmo a letra A, falava igual o Cebolinha, não sabia o que era futebol, não conseguia interagir com os amiguinhos da mesma idade, pois as brincadeiras eram muito "modernas" para ele. rssss
Isso era o que as pessoas viam de fora, num momento de lazer, num passeio, numa festinha.
E o que estava rolando dentro deles? Isso ninguém sabia.
Ninguém sabia que por trás de cada "diferença" deles comparado com uma criança da mesma idade, havia uma noite de medo de trovão sozinhos na cama sem ninguém para abraçar. Havia um vazio na escola no dia de reunião de pais ou apresentação para a família, onde eles não tinham para onde olhar, pois realmente não tinha ninguém.
Fase da criança onde tudo "é meu", eles não tiveram, pq nunca tiveram nada deles. Tudo sempre foi de todos.
Pessoas não entendiam o pq uma de minhas filhas era muito grudada comigo no começo e não queria sair do colo quando estávamos num local de muita gente.
Cheguei a ouvir, que eu estava deixando ela assim mimada e grudinho. Que eu não estava permitindo socializar e acostumar com as pessoas.
Mas ninguém sabia que ela passou 2 anos da vida dela com receio de adultos, com medo deles, sem saber o que aquele adulto faria amanhã com ela, se ele iria cuidar ou abandonar. E naquele momento, o meu colo era essencial para ela sentir que agora podia confiar em um adulto e confiando em mim, passaria a confiar nos outros também.
Quando li esse trechinho do livro da Cecília, lembrei de várias cenas que meu filho mais velho me conta dos seus 5 primeiros anos de vida sem a gente, o tanto de coisas que ele tão pequeno precisou passar, a quantidade de situações e conflitos internos, as dúvidas, os perrengues, e até mesmo coisas boas, que ele tem saudades como pessoas que fizeram bem a ele, amiguinhos do abrigo que eram como irmãos. Até isso deve ser difícil lidar né? Deixar pra trás uma vida!!!
E eu me sinto as vezes com o coração na mão, com uma impotência sem tamanho ao não conseguir tirar algumas memórias da cabecinha deles. Mas entendo que isso faz parte do processo, do caminhar, da evolução de cada um. Mas não é fácil.
Realmente meus filhos sentiam dores que iam MUITO além do que um ralado no joelho, do que um tombinho na sala aprendendo a andar, do que um galo na cabeça, um corte, um roxinho na perna... (entendem agora pq nunca liguei muito para esses machucados? hahaha Pois é, escutei muitooooooo sobre meu "relaxo" com essas situações, mas de verdade pra mim isso é pequeno)
A dor deles era profunda, o medo angustiante, situações que ficarão eternamente em suas memórias.
E nós mamãe e papai? Só nos resta continuar nesse caminho que estamos, do amor, do ensinamento (com broncas SIM! rs), e seguindo nossos corações, pois esse sim, não falha jamais!!!
Fiquem a vontade em me escrever através do e-mail: mari.mso82@gmail.com
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
A página virou mesmo???
Novamente com cara de ovo!!! rss
Quando a gente acha que a página virou, vem a vida e mostra pra gente que não. Ou será que sim?
Muitas perguntas rondaram minha cabeça desde dezembro do ano passado, quando ao abrir meu exame de rotina, o Doutor me olhou e disse: "é... tem uma coisinha aqui... vamos ter que investigar mais."
Em 2 segundos passou tanta coisa na minha cabeça, tantos medos, dúvidas, "pqs", uma vontade enorme de fugir.
Saímos da consulta, DD e eu, arrasados. E lógico, o primeiro pensamento: Nossos filhos!!!
Após uma semana, com outro exame em mãos, meu médico confirmou que teria que fazer quimioterapia pois o câncer havia "voltado" (não é exatamente essa palavra que eu usaria, pois isso não me pertence, ele nunca voltou, nem foi, nem existiu rs).
O mundo desaba, a fé não existe, a raiva da vida prevalece.
Mas ok... não quero falar desses dias chatos.
Eu me enganei quando dizia antes que a página havia virado, que agora a história de minha vida seria outra, como mãe, sem tratamento, mas a vida me mostrou que não é bem assim, que a história é a mesma e que os capítulos vão e voltam, acontecem, pois a história de nossa vida toda já está escrita, nós apenas temos que ler nosso livro e deixar fluir... viver!!!
Viver e agradecer, agradecer pelas vivências, pela oportunidade de aprendizado, pelo crescimento e evolução.
Nossaaaaaaaaaaaaaaaaa, mas como é difícil agradecer alguma situação ruim né? Tipo: "Obrigada vida pelo câncer!" hahahahahahaha
Mas é isso mesmo, obrigada pela oportunidade de aprendizado, obrigada por TUDO o que eu enxergo durante os dias difíceis de tratamento, pelo tanto que me redescubro, me curo de todas as emoções vividas no passado, me afasto de algumas e me enamoro por outras pessoas que são de verdade, a claridade sobre o meu eu interior, a aproximação com nosso Deus e com nossas crenças.
E vamos indo... dias gostosos, dias mais chatos, dias enjoados, dias fracos, dias de cama, e assim vamos até abril!
Já são menos 2 sessões de quimioterapia, faltam só 4.
Meus filhos estão ótimos, lidando melhor do que eu imaginava com tudo isso, me dão força, me dão amor e alegria. Ajudaram raspar meu cabelo, as meninas querem usar lenço todos os dias na cabeça e os 3 adoram "passar a mão na carequinha" hahahaha
Estamos bem acompanhados, temos um time lindo ao nosso lado nessa batalha, pessoas iluminadas que estão a todo momento nos amparando, ajudando, nos mantendo fortes.
Vamos lá, sem desanimar (mas permitindo isso acontecer), afinal...
FUI ESCOLHIDA PARA UM RECOMEÇO!!! E sou grata por isso!!!
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Nesse 1 ano...
Desenho feito pelo meu filho na primeira semana em casa.
Oissssssss!!!
Como vocês estão??? Tudo bem???
Saudades de escrever aqui... meu diário de desabafo.
Hoje deu vontade de escrever.
Meus dias estão um pouquinho corridos, mas normal né? Hoje todo mundo vive ligado nos 220v, fazendo mil coisas ao mesmo tempo e vamos deixando algumas coisas de lado por "falta de tempo".
Falo por mim, acordo as 5:50 e quando paro pra respirar, ja está na hora de dormir de novo. Puft! Passou o dia!
Mas isso não acho ruim não, aliás adoroooooo essa rotina maluca de ser mãe de 3, esposa, empresária, cuidar de mim e ainda lavar roupa, fazer comida, arrumar a casa, ser filha, irmã, amiga, ufaaa... quantas funções!!! Mas é tão gostoso!!!
Um ano se passou desde que meus filhos nasceram pra mim, na verdade 1 ano e 3 meses e desde então muitos desafios surgiram.
As pessoas sempre me falam que minha vida deve ser uma loucura com 3 filhos que chegaram de um dia pro outro literalmente, mas pra mim, no meio desse turbilhão de "tarefas", o mais difícil é lidar com o turbilhão de EMOÇÕES e SENTIMENTOS que fazem parte do nosso dia-a-dia.
Isso é um pouco mais complexo... não acho tão fácil de lidar quanto as coisas automáticas da vida como ir pro trabalho, levar e buscar filhos na escola, comer e dar de comer, tomar banho e dar banho nos 3,...
Nossa rotina é tranquila, apesar de serem 3 crianças, eles são parceirinhos e consigo fazer tudo com eles, sem problemas, sem birras, sem estresse. (isso facilita bastante a vida, foi a primeira regra que colocamos aqui em casa, LIMITES).
Quando falamos pras pessoas que iríamos entrar na fila de adoção, o que mais ouvimos foi: "mas será uma criança com no máximo até 2 anos né? Pq depois disso já vem com personalidade formada, muita carga emocional, e isso não da certo."
Isso realmente me deixava assustada, principalmente quando ouvia de pessoas que já tinham filhos, pois falavam com propriedade.
Mas DD e eu resolvemos deixar o coração falar e como a certeza que nossos filhos já estavam "escritos" para nós, deixamos acontecer sem especificar quase nada no perfil deles na hora de preencher o formulário obrigatório para a habilitação. (a única certeza que eu tinha era que seriam 3 irmãos).
Sobre isso que gostaria de falar hoje, sobre a experiência de ter "parido" crianças e não bebês. rs
As gêmeas estavam com 2 anos, logo após 1 semana que estavam com a gente, elas já nos chamavam de papai e de mamãe (na primeira semana eramos titio e titia) e falavam como se sempre tivessem vivido com a gente. Elas tinham muito medo e vergonha das pessoas, afinal era um mundo novo, pessoas estranhas e longe do porto seguro delas que era o abrigo onde estavam desde bebês. Com a gente a segurança até que foi muito rápida, eram 2 grudinhos principalmente comigo, grudadas mesmo, nosso desafio foi tratá-las individualmente, pois com gêmeas e sem conhecê-las muito bem ainda, a tendência era tratá-las como uma só.
Outro desafio, era dar segurança a elas para enfrentar esse mundão. E as coisas foram fluindo naturalmente, mostrando a elas que o mundo "aqui fora" era bem bacana, que elas podiam caminhar sozinhas pois a mamãe e o papai sempre estariam atrás dando todo suporte, base, proteção e segurança a elas.
Foram se soltando, o choro na escolinha foi diminuindo ao perceberem que os papais sempre estavam la na saída para trazê-las de volta pra casa, a confiança nas pessoas que queriam o bem delas foi conquistada e nós conseguimos após uns meses diferenciar 100% uma da outra na questão da personalidade (fisicamente demoramos uns 5 dias com lacinho de cor diferente no cabelo rs)
Já meu filho, foi diferente, ele entendia o que estava acontecendo, lembrava das pessoas que conviveu os 5 anos de sua vida, ele queria ser aceito por nós, ele queria acertar para não ser "devolvido", ele estava empolgado pela vida nova e não sabia lidar com essa empolgação, ele tinha SIM uma bagagem grande nas costas. Ele, ao contrário delas, sabia que o Abrigo não era seu lugar, que o lugar dele era dentro de uma família. Para elas, o importante era estar onde ele estivesse, ele era a referência para as duas. Se ele estava bem, elas ficavam bem também. (Olha a responsabilidade que ele, com apenas 5 anos já tinha).
Mas o principal de tudo, ele estava grato demais com o papai do céu por realizar seu sonho...ele pedia muito por uma "mamãe" nova e um "papai" novo.
(palavras de uma tia do abrigo). E conseguiu!!!
Essa parte da gratidão dele por nós é a coisa mais surreal e incrível que já vivi em minha vida. É a forma de amor mais forte que já senti. Ele faz questão de demonstrar isso pra gente a todo momento, em atitudes declaradas e outras nem tanto.
Quando nos conhecemos ele me rejeitou por ter a certeza que "mãe" abandona e ganhou um super herói chamado "pai" que era tudo o que ele queria, um cara alto, forte que brincasse de lutinha com ele, jogasse pra cima e que fosse seu espelho, querendo usar roupa e cabelo igual.
Foram meses sendo testada, rejeitada e ignorada por ele. Tive que colocar na cabeça que eu era a adulta da relação e que tinha que ao mesmo tempo entender que era normal esse sentimento nele, mas era normal também o meu, além do que, eu também fui "rejeitada" por um filho biológico que não pude ter e agora que eu tinha, ele me tratava daquela forma.
Aos pouquinhos, com MUITO AMOR, fomos nos aproximando, nos conhecendo, adquirindo segurança um no outro.
Hoje, após 1 ano e 3 meses, posso dizer que nos entregamos a esse sentimento, no momento certo, respeitando cada sensação, cada histórico, mas sempre com pulso firme, limites e conduzindo meu filho pelo que acreditamos ser correto.
Ouvimos MUITO de todas as pessoas ao redor que fomos rígidos com eles, que fomos severos demais, mas uma coisa que sempre tivemos na cabeça (eu e DD) era que os 3 não eram "coitadinhos", "carentes", e que precisávamos compensar o que eles não tiveram esses anos longe da gente. O passado ficou pra trás, agora somos uma família forte, unida, com amor, com segurança e apoio pra tudo o que precisarem, e que temos sim que mostrar o certo e o errado, temos que dar base para nossos filhos. Foi aí que percebi que aquela ideia que escrevi la em cima sobre todos acharem melhor adotar crianças até 2 anos por ser mais fácil de "moldar" é muito errônea, pois meu filho veio com muito mais sede por ser moldado que as meninas, e como entendia muita coisa da situação, ele queria aprender com a gente, achava bacana ser como nós, ter nosso jeito, e é uma cópia em tudo. Sempre que faz algo que não é muito legal, ele pede por favor pra ensiná-lo como fazer diferente.
Pras meninas é mais "normal" ter papai e mamãe, pro meu filho é tudo o que ele queria, então ele agradece antes de dormir, fala o tempo todo o quanto é legal ter a gente em sua vida, chorou muito de emoção em seu primeiro aniversário na hora do parabéns, pulava e gritava de alegria ao buscá-lo na escola, se empolga com tudo, cada momento é especial, é diferente, é desejado. Se emociona com dia dos pais e dia das mães de um jeito diferente. Enfim... ele é grato em tudo, valoriza tudo e faz questão de mostrar a cada segundo o quanto ama a gente, e o tempo todo dizer o quanto ele sonhou com essa vida.
E o que falar de cada "primeira vez" dele? Era um menino de 5 anos que ficava vidrado na estrada com tantos carros passando, caminhões então, ele batia palma e gritava de felicidade. Primeira festinha na escola, primeira viagem, primeiro dia que dormiu em sua PRÓPRIA cama, ele perguntava o tempo todo com os olhos brilhantes se aquele armário, aquelas roupas, aqueles brinquedos eram SÓ dele. (normalmente temos que ensinar as crianças a dividir seus brinquedos e pertences... com ele era diferente, precisamos mostrar que algumas coisas também podiam ser só dele, que isso existia também, já que em toda sua vida, tudo era compartilhado).
Outro exemplo foi na escola, antes podia fazer a bagunça que fosse, a professora não tinha com quem "fazer reclamação", enquanto seus amiguinhos, as mães eram chamadas. Ele sonhava com esse momento, então esse ano, começou a dar um bom trabalhinho, até que um dia a diretora me chamou e ele ficou feliz da vida. Me abraçou e disse: "Vc vai na minha escola??? Não acredito!!! Que legaaaaalllllll"... ficou feliz demais e acalmou na bagunça. Ele só queria que a mamãe e o papai fossem na escolinha dele. (mesmo sendo pra falar das bagunças hahahaha)
E assim foi esse primeiro ano de nossa família. Fizemos todo o possível para criarmos nosso vínculo, nossa estrutura, o amor que é conquistado dia após dia, DD e eu ensinando a eles o que é ser "filho" e eles nos ensinando o que é ser "mamãe" e "papai".
Como sempre digo, eles sempre foram nossos, apenas se equivocaram de barriga. rss <3
Oissssssss!!!
Como vocês estão??? Tudo bem???
Saudades de escrever aqui... meu diário de desabafo.
Hoje deu vontade de escrever.
Meus dias estão um pouquinho corridos, mas normal né? Hoje todo mundo vive ligado nos 220v, fazendo mil coisas ao mesmo tempo e vamos deixando algumas coisas de lado por "falta de tempo".
Falo por mim, acordo as 5:50 e quando paro pra respirar, ja está na hora de dormir de novo. Puft! Passou o dia!
Mas isso não acho ruim não, aliás adoroooooo essa rotina maluca de ser mãe de 3, esposa, empresária, cuidar de mim e ainda lavar roupa, fazer comida, arrumar a casa, ser filha, irmã, amiga, ufaaa... quantas funções!!! Mas é tão gostoso!!!
Um ano se passou desde que meus filhos nasceram pra mim, na verdade 1 ano e 3 meses e desde então muitos desafios surgiram.
As pessoas sempre me falam que minha vida deve ser uma loucura com 3 filhos que chegaram de um dia pro outro literalmente, mas pra mim, no meio desse turbilhão de "tarefas", o mais difícil é lidar com o turbilhão de EMOÇÕES e SENTIMENTOS que fazem parte do nosso dia-a-dia.
Isso é um pouco mais complexo... não acho tão fácil de lidar quanto as coisas automáticas da vida como ir pro trabalho, levar e buscar filhos na escola, comer e dar de comer, tomar banho e dar banho nos 3,...
Nossa rotina é tranquila, apesar de serem 3 crianças, eles são parceirinhos e consigo fazer tudo com eles, sem problemas, sem birras, sem estresse. (isso facilita bastante a vida, foi a primeira regra que colocamos aqui em casa, LIMITES).
Quando falamos pras pessoas que iríamos entrar na fila de adoção, o que mais ouvimos foi: "mas será uma criança com no máximo até 2 anos né? Pq depois disso já vem com personalidade formada, muita carga emocional, e isso não da certo."
Isso realmente me deixava assustada, principalmente quando ouvia de pessoas que já tinham filhos, pois falavam com propriedade.
Mas DD e eu resolvemos deixar o coração falar e como a certeza que nossos filhos já estavam "escritos" para nós, deixamos acontecer sem especificar quase nada no perfil deles na hora de preencher o formulário obrigatório para a habilitação. (a única certeza que eu tinha era que seriam 3 irmãos).
Sobre isso que gostaria de falar hoje, sobre a experiência de ter "parido" crianças e não bebês. rs
As gêmeas estavam com 2 anos, logo após 1 semana que estavam com a gente, elas já nos chamavam de papai e de mamãe (na primeira semana eramos titio e titia) e falavam como se sempre tivessem vivido com a gente. Elas tinham muito medo e vergonha das pessoas, afinal era um mundo novo, pessoas estranhas e longe do porto seguro delas que era o abrigo onde estavam desde bebês. Com a gente a segurança até que foi muito rápida, eram 2 grudinhos principalmente comigo, grudadas mesmo, nosso desafio foi tratá-las individualmente, pois com gêmeas e sem conhecê-las muito bem ainda, a tendência era tratá-las como uma só.
Outro desafio, era dar segurança a elas para enfrentar esse mundão. E as coisas foram fluindo naturalmente, mostrando a elas que o mundo "aqui fora" era bem bacana, que elas podiam caminhar sozinhas pois a mamãe e o papai sempre estariam atrás dando todo suporte, base, proteção e segurança a elas.
Foram se soltando, o choro na escolinha foi diminuindo ao perceberem que os papais sempre estavam la na saída para trazê-las de volta pra casa, a confiança nas pessoas que queriam o bem delas foi conquistada e nós conseguimos após uns meses diferenciar 100% uma da outra na questão da personalidade (fisicamente demoramos uns 5 dias com lacinho de cor diferente no cabelo rs)
Já meu filho, foi diferente, ele entendia o que estava acontecendo, lembrava das pessoas que conviveu os 5 anos de sua vida, ele queria ser aceito por nós, ele queria acertar para não ser "devolvido", ele estava empolgado pela vida nova e não sabia lidar com essa empolgação, ele tinha SIM uma bagagem grande nas costas. Ele, ao contrário delas, sabia que o Abrigo não era seu lugar, que o lugar dele era dentro de uma família. Para elas, o importante era estar onde ele estivesse, ele era a referência para as duas. Se ele estava bem, elas ficavam bem também. (Olha a responsabilidade que ele, com apenas 5 anos já tinha).
Mas o principal de tudo, ele estava grato demais com o papai do céu por realizar seu sonho...ele pedia muito por uma "mamãe" nova e um "papai" novo.
(palavras de uma tia do abrigo). E conseguiu!!!
Essa parte da gratidão dele por nós é a coisa mais surreal e incrível que já vivi em minha vida. É a forma de amor mais forte que já senti. Ele faz questão de demonstrar isso pra gente a todo momento, em atitudes declaradas e outras nem tanto.
Quando nos conhecemos ele me rejeitou por ter a certeza que "mãe" abandona e ganhou um super herói chamado "pai" que era tudo o que ele queria, um cara alto, forte que brincasse de lutinha com ele, jogasse pra cima e que fosse seu espelho, querendo usar roupa e cabelo igual.
Foram meses sendo testada, rejeitada e ignorada por ele. Tive que colocar na cabeça que eu era a adulta da relação e que tinha que ao mesmo tempo entender que era normal esse sentimento nele, mas era normal também o meu, além do que, eu também fui "rejeitada" por um filho biológico que não pude ter e agora que eu tinha, ele me tratava daquela forma.
Aos pouquinhos, com MUITO AMOR, fomos nos aproximando, nos conhecendo, adquirindo segurança um no outro.
Hoje, após 1 ano e 3 meses, posso dizer que nos entregamos a esse sentimento, no momento certo, respeitando cada sensação, cada histórico, mas sempre com pulso firme, limites e conduzindo meu filho pelo que acreditamos ser correto.
Ouvimos MUITO de todas as pessoas ao redor que fomos rígidos com eles, que fomos severos demais, mas uma coisa que sempre tivemos na cabeça (eu e DD) era que os 3 não eram "coitadinhos", "carentes", e que precisávamos compensar o que eles não tiveram esses anos longe da gente. O passado ficou pra trás, agora somos uma família forte, unida, com amor, com segurança e apoio pra tudo o que precisarem, e que temos sim que mostrar o certo e o errado, temos que dar base para nossos filhos. Foi aí que percebi que aquela ideia que escrevi la em cima sobre todos acharem melhor adotar crianças até 2 anos por ser mais fácil de "moldar" é muito errônea, pois meu filho veio com muito mais sede por ser moldado que as meninas, e como entendia muita coisa da situação, ele queria aprender com a gente, achava bacana ser como nós, ter nosso jeito, e é uma cópia em tudo. Sempre que faz algo que não é muito legal, ele pede por favor pra ensiná-lo como fazer diferente.
Pras meninas é mais "normal" ter papai e mamãe, pro meu filho é tudo o que ele queria, então ele agradece antes de dormir, fala o tempo todo o quanto é legal ter a gente em sua vida, chorou muito de emoção em seu primeiro aniversário na hora do parabéns, pulava e gritava de alegria ao buscá-lo na escola, se empolga com tudo, cada momento é especial, é diferente, é desejado. Se emociona com dia dos pais e dia das mães de um jeito diferente. Enfim... ele é grato em tudo, valoriza tudo e faz questão de mostrar a cada segundo o quanto ama a gente, e o tempo todo dizer o quanto ele sonhou com essa vida.
E o que falar de cada "primeira vez" dele? Era um menino de 5 anos que ficava vidrado na estrada com tantos carros passando, caminhões então, ele batia palma e gritava de felicidade. Primeira festinha na escola, primeira viagem, primeiro dia que dormiu em sua PRÓPRIA cama, ele perguntava o tempo todo com os olhos brilhantes se aquele armário, aquelas roupas, aqueles brinquedos eram SÓ dele. (normalmente temos que ensinar as crianças a dividir seus brinquedos e pertences... com ele era diferente, precisamos mostrar que algumas coisas também podiam ser só dele, que isso existia também, já que em toda sua vida, tudo era compartilhado).
Outro exemplo foi na escola, antes podia fazer a bagunça que fosse, a professora não tinha com quem "fazer reclamação", enquanto seus amiguinhos, as mães eram chamadas. Ele sonhava com esse momento, então esse ano, começou a dar um bom trabalhinho, até que um dia a diretora me chamou e ele ficou feliz da vida. Me abraçou e disse: "Vc vai na minha escola??? Não acredito!!! Que legaaaaalllllll"... ficou feliz demais e acalmou na bagunça. Ele só queria que a mamãe e o papai fossem na escolinha dele. (mesmo sendo pra falar das bagunças hahahaha)
E assim foi esse primeiro ano de nossa família. Fizemos todo o possível para criarmos nosso vínculo, nossa estrutura, o amor que é conquistado dia após dia, DD e eu ensinando a eles o que é ser "filho" e eles nos ensinando o que é ser "mamãe" e "papai".
Como sempre digo, eles sempre foram nossos, apenas se equivocaram de barriga. rss <3
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Primeiro Dia das Mães!
Meu nome: Mariana
Meu sonho: Ser mãe!
Falo que nasci com esse sonho, pois desde que
me lembro por gente, sonho com meus filhos, com uma barriguinha linda de
grávida, com festinha da escola, enfim... casa cheia de alegria.
Em 2012, ao fazer exames de rotina na
ginecologista, com a intenção de parar o anticoncepcional e engravidar, descobrimos
um tumor no ovário. Com muita tranquilidade, o médico disse que não me
preocupasse, pois era benigno, e apenas faríamos uma cirurgia para a retirada
desse tumor e que não influenciaria em nada a uma futura gestação.
Mesmo assim,resolvi fazer a retirada de
óvulos,para “garantir” meus filhotes.Rs
Feita a cirurgia, fomos eu e minha mãe, ao
retorno médico para resultado de biópsia... e aí a bomba veio com tudo. Aquele
tumor benígno inofensivo, era na verdade um CÂNCER DE OVÁRIO.
O mundo caiu, o sonho da maternidade parecia
distante, pois precisaria, segundo o médico, passar por outra cirurgia para
retirar os ovários.
Mas pensando depois com mais calma, lembrei
dos óvulos congelados que poderia usá-los e assim finalmente realizar meu
sonho.
Fiz mil exames para saber se a doença estava
apenas no ovário mesmo ou em mais algum órgão, e saindo os resultados, mais uma
super bomba!!! Essa na verdade avassaladora que me fez perder o chão, o teto,
as paredes... Teria que além do ovário, retirar também o útero, trompas, etc...
fazer uma “limpeza geral”.
Meu sonho de ser mãe havia se tornado algo
impossível, e como é difícil a gente colocar os pés no chão, aceitar uma situação
que é PARA VIDA TODA, não é mesmo? Como assim eu NUNCA seria mãe nessa vida???
Uma dor profunda no coração, vontade de me enfiar num quarto e nunca mais sair.
O tempo passou, fiz tratamento de
quimioterapia, mais 2 cirurgias, e graças a Deus estava curada.
Meu marido, sempre teve um sonho de ter
filhos através da adoção, e eu sempre soube disso, mas nunca dei a devida
atenção (coisa de mulher querer ficar barriguda rs), mas nesse momento, comecei
a olhar para esse sonho dele, como algo muito especial. Por que não??
E a partir daí, meu coração voltou a sorrir,
a acalmar, a ter esperança de realização do sonho de maternidade. Minha
curiosidade passou de: “será que meu filho terá o nariz igual o meu ou do meu
marido?”, “e os olhos?”, para: “Com quantos anos será que ele nascerá para nós?”,
“qual será a cor da pele, cabelo e olhos dos meus filhos?”, “em que cidade será
que ele nascerá?”, “será que nascerá para mim 1, 2 ou 3 filhos de uma só vez?”,
“qual será sua vivência?”, “o que vamos ter que enfrentar juntos?”.
E essas perguntas lotaram meu coração de emoção,
amor e felicidade imensa. Demos entrada no processo de adoção e abrimos nosso
coração para essa gestação que teve data para começar, mas não sabíamos quando
eles nasceriam pra nossa família.
Um dia meu telefone tocou, o melhor
telefonema que já recebi na vida até hoje, do Fórum, dizendo que tinha 3
coisinhas lindas esperando por nós, se queríamos conhecer, e enviaram foto... o
choro foi inevitável e a pele toda arrepiada em ver que ERAM ELES!!! Naquele
momento a “bolsa estourou”, e a felicidade em saber que meu sonho estava sendo
realizado, e uma vontade imensa de correr para os braços dos meus 3 filhos não
cabia em mim.
E assim eu virei mãe, nossa família aumentou
e a vida de nós 5 se transformou. Hoje, já quase 1 ano que estamos juntos,
estou vivendo uma das maiores emoções, o primeiro dia das mães. Buscar os filhos
na escola e ganhar um presentinho feito por eles, um momento especial para mim
e para eles também, (principalmente para o mais velho que já frequentava escola
antes), pois ele nunca havia dado o presente feito na escola para ninguém, e
isso o incomodava muito, se sentia vazio nessa data, com um presente guardado
no armário ou mesmo no lixo... hoje ele teve para quem dar, e eu tive de quem
receber.
Nosso abraço disse tudo, eles ficaram felizes
com meu choro, pois entenderam a emoção do que eles “causaram” com esse
momento.
Hoje olho pra trás e agradeço por tudo que
passei, por todo sofrimento e falta de esperança, que no primeiro momento me
derrubou, mas que me fez perceber que meus filhos não poderiam vir da minha
barriga e sim do meu coração, do meu amor e da minha dedicação em cuidar das 3
pedrinhas mais preciosas do mundo.
Se um dia eu puder dizer algo pra alguém? Que
TUDO é possível, até quando você acha que não existe mais possibilidades para a
realização do sonho... EXISTE SIM!!! É só você se abrir para o mundo que ele
mesmo vai te mostrando o caminho a seguir, até chegar na realização. 💜
sexta-feira, 13 de abril de 2018
A página virou!!!
![]() |
| Meus 3 filhos!!! |
Pois é... eu fui!! rs
Antes de continuar lendo esse texto, gostaria MUITO que voltassem lá nas minhas postagens de 2012, em dezembro, no texto MATERNIDADE.
Pronto, agora, depois de quase 6 anos, esse texto de hoje, será a continuação daquele.
Foi muito difícil pra mim essa fase de entendimento que eu não poderia NUNCA MAIS gerar um filho. (esse "nunca mais" é muito forte pra gente né?).
O tempo me mostrou que eu não precisava de uma barriga para ser mãe, pois meu coração, sempre esteve preparado para gerar um filho. Foi aí que me abri com todo amor do mundo para viver esse sonho mágico.
No texto MATERNIDADE a última frase foi a seguinte: "E digo mais, tenho certeza que nesse mundão por aí tem alguma criança esperando e precisando de nós para ser feliz!!!! E essa será nossa missão!! "
E não é que nesse dia já tinha essa criança esperando por mim e pelo Le? rs
Siiiimmmm. Nosso primeiro filho já estava com 6 meses.
Como a mamãe Mari e o papai Le ainda não estavam preparados para recebê-lo, por mil motivos (principalmente a saúde da Mamãe), ele resolveu ficar esperando no Abrigo, até chegar o tempo certo dos papais.
Muitos vão dizer, coitadinho dele ficar tanto tempo no Abrigo, sozinho, judiação. Eu prefiro dizer que esse tempo foi o ideal para que eu e o Le, nos preparássemos para mudar a página de nossas vidas, e recebê-los da melhor forma possível, tempo ideal para meu filho ter suas vivências necessárias, e principalmente, para que desse tempo de minhas outras 2 filhas nascerem e esperarem por nós la no Abrigo também, junto com o irmãozinho.
Essa é a minha PÁGINA VIRADA!!!
Desde junho de 2017, sou MÃE!!
Meus filhos nasceram pra nós há exatamente 10 meses, da forma mais linda, mais certeira, sem nenhum contra-tempo que pudesse ter ocorrido numa adoção.
Estávamos há quase 2 anos na "fila de adoção" quando meu celular tocou dizendo que era do Fórum, meu coração disparou, como se estivesse estourando a bolsa na gestação.
E três dias depois do telefonema, nosso primeiro encontro, primeiro momento de nós 5 juntos para nunca mais separar. E desde esse dia, estamos juntos os 5 para viver nossa nova história, nosso livro da vida que está sendo escrito com muito amor, dedicação, união e paciência (as vezes nem tanto) hahahaha.
Claro que não é fácil, precisei de um tempo pra entender tudo o que estava acontecendo, chorei muito com essa mudança de rotina, literalmente de um dia pro outro. Não tive os 9 meses de preparo. rs
Mas quem disse que seria fácil né?
O amor vem com o vínculo, com o dia-a-dia, com a segurança de que estamos no caminho certo.
Meu menino e minhas 2 meninas são anjos que me escolheram como mãe e o Le como pai. Fomos abençoados demais e hoje entendo o pq não pude gerar, pois eles já estavam lá, apenas aguardando o nosso encontro, o momento exato para virarmos uma FAMÍLIA.
Hoje consigo escrever, o furacão passou, a rotina já foi estabelecida, nós 5 já estamos nos entendendo melhor, as coisas acalmaram. rsssss
Aos poucos vou contando sobre toda essa experiência.
Mas gostaria muito de agradecer a vocês que sempre souberam dessa minha vontade de ser mãe, e de algum jeito, mandou energias positivas para a realização desse encontro especial, mágico e de outras vidas!!!
E é claro, obrigada meus filhos por terem nos escolhido!!! Obrigada por preencherem esse vazio que estava aqui dentro. AMO VOCÊS.
Milhões de beijos... Mamãe Mari :)
terça-feira, 25 de abril de 2017
Vamos atrás dos sonhos?

Oieeeeesssss!!!
Tudo bom com vocês??? Aqui tudo ótimo, graças a Deus!!!
Antes de mais nada, queria avisar que NÃO ESTOU TRISTE, NEM SOFRENDO!!!
O último texto que escrevi, foi um desabafo, pra mostrar que SIM, a tristeza faz parte e não temos que estar todos os dias felizes, com fé, sem medo e com sorriso no rosto. Existem sim momentos tristes de dor e pasmem... É NORMAL!!! rsssss
Recebi muitos e-mails e mensagens de pessoas preocupadas, dizendo pra não ficar triste, mas de verdade, estou super bem, apenas quis contar e desabafar sobre um sentimento que existe.
Aliás, muito pelo contrário do meu texto, estou tentando cada dia mais fazer coisas que me trazem felicidade, pois esse mundo já faz questão de nos dar notícias ruins o tempo todo, se eu também "me der" coisas ruins, ferrou... rs
Por exemplo... há 17 anos atrás, fiz intercâmbio de 1 ano ao México. Foi um ano maravilhoso, eu diria que um dos mais importantes da minha vida, o melhor presente e herança que meus pais me deram. Ano de aprendizado, amadurecimento, conhecimento e o mais importante, ano em que conheci pessoas queridas demais que guardo até hoje em meu coração.
Nunca mais tinha voltado, e morria de vontade de rever as pessoas que tanto me ajudaram e me fizeram bem.
Pois é... mais uma coisinha que esse tempo de tratamento me fez enxergar, não deixar nada pra amanhã, pois pode ser tarde. Então, um dia, conversando com o Alexandre, resolvemos ir. Foi pápum... sem pensar muito e compramos as passagens.
Sempre colocamos empecilhos, motivos para adiar nossas realizações de sonhos, sempre achamos que não temos dinheiro, que não podemos tirar férias, que as pessoas vão falar, que não merecemos, que... que... que... Nossa!!!! Quantas desculpas bestas.
Vou dizer uma coisa: FOI UMA DAS MELHORES SENSAÇÕES DA VIDA!!!
Voltar naquele país que me recebeu de braços abertos, pessoas que não encontrava há 17 anos, ficamos na casa da minha primeira família, que SIM, é minha família de verdade, cada sabor, cheiro, música, palavras, risadas, dança, cores...
Muita coisa mudou, lógico, mas a essência continua a mesma, sabe pq??? Pq. lá tem MUITO AMOR, e não quero dizer lá, o México, mas quero dizer lá, meu sonho.
Fui atrás do meu sonho, passei 23 dias em transe, pasma, rara, parecia que estava dormindo, sonhando, a ficha não caia de jeito nenhum.
Cada pessoa que abraçava, o coração transbordava, a pele arrepiava e os olhos se enchiam de lágrimas.
Essa sensação não há dinheiro no mundo que pague, com certeza ficará no meu histórico de dias bem vividos e emocionantes da minha linha do tempo.
Enfim, se for escrever tudo o que vivi nesse sonho real, precisarei de 23 posts enormes, cada um sobre um dia, pois cada dia foi uma emoção diferente.
Só quero agradecer MUITO MUITO MUITO a minha família Magaña que nos recebeu de braços abertos, amamos as aventuras hehehehe e a todas minhas famílias e amigos que amo demais. Vocês não imaginam o quanto me fizeram bem. GRACIASSSSSSSS!!!!
Não importa se teu sonho é um lugar, algo material, uma pessoa, uma comida, um trabalho, uma atitude tua mesmo, uma palavra a um amigo ou familiar, o que quer que seja, VÁ ATRÁS!!!!
Sonhos na verdade não são para ser apenas sonhado, e sim, para ser REALIZADO!!!
Vai esperar quanto tempo pra isso??? A única certeza que temos, é que o passado já acabou, não podemos falar do futuro, ele é incerto. Então vamos todos aproveitar agora, hoje, já!!!!
E você? Já realizou algum sonho? Se sim, parte para o próximo. Se não, está esperando o que???? Boraaaaaaa...
Beijos beijos e beijossssssssssssss.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
A tristeza faz parte.
Boa noiteeeeeee!!!! Tudo bom com vocês???
Então, eu ainda estou em tratamento. Faço de 21 em 21 dias, aplicação de AVASTIN.
Ele não é tão chato como os outros remédios quimioterápicos, mas judia do corpo do mesmo jeito, principalmente os rins. Mas vamos que vamos... sem parar, por 18 meses!!!!
Como eu não sinto nada, é tranquilo, vou pro COC (clínica), faço exame de sangue, passo pelo Dr. André, faço a aplicação que dura 45 minutos mais ou menos e volto pro trabalho. Super de boas.
Mas tem uma coisa, que pra mim é bem difícil nesses dias: a sala de químio.
Eu amo aquele lugar, as pessoas, as enfermeiras, os médicos, as atendentes, todos que trabalham lá. Aliás, sou APAIXONADA E GRATA por todos. (eu sei que elas estão lendo, então vou puxar o saco, quem sabe não ganho chocolate quando for semana que vem?! hahahahahaha), brincadeirinhas a parte, mas elas (e eles) sabem que amo mesmo!!!!
Voltando a sala de químio, das últimas 3 vezes que fui, não consegui controlar o choro. Um choro doído, choro de uma mistura de sentimentos... Vejo todas aquelas pessoas alí, passando mal, vomitando, algumas chorando de dor, fraquinhas, veia que não aparece, sono incontrolável, carequinhas, algumas felizes pois está acabando o tratamento, já outras sem esperanças nenhuma de vida. Familiares preocupados, que se viram de costas para seu filho/filha ou seu pai/mãe pra que não perceba que estão chorando. Vejo as enfermeiras chegando com aquele monte de saquinhos com químio, na mesma hora sinto aquele gosto horrível que jamais sairá da minha boca... aiiiiiiiiiiii, quanto sentimento rola, em apenas 45 minutos.
É como se um filme, passasse na minha cabeça, de tudo que passei com meus 2 tratamentos, com o tratamento do meu pai, pois tenho os 2 lados, né? De paciente e de acompanhante. Que por sinal, impossível dizer qual dói mais... se bem que acho, ou tenho certeza, que o pior é ser acompanhante, pois quando é com a gente, sabemos nosso limite e entendemos nossa dor. Com quem amamos, nos sentimos impotentes.
Vejo toda essa cena, e eu lá.. com os cabelinhos crescendo, com vontade de gritar pra todos que TUDO VAI DAR CERTOOOOOO!!!! Mas não dá. será que vai dar tudo certo mesmo? Pode ser que sim, mas é bem difícil da gente acreditar quando estamos no momento da quimioterapia.
É impossível achar que vai ficar tudo bem, que o enjoou vai passar, que o cabelo volta a crescer, que voltaremos a sentir cheiro e gosto das comidas, que conseguiremos dormir uma noite inteirinha, que nosso corpo irá parar de sentir dores, que vamos conseguir andar sem ficar cansados, que os amigos voltarão a falar com você normalmente e te chamar para fazer algo, que as pessoas na rua não vão mais te olhar com cara de dó, que tua respiração voltará ao normal, que tua vida poderá ser linda, é bem difícil de acreditar em tudo.
E meu coração começa a explodir de tristeza ao ver as pessoas assim, pois eu sei exatamente o que estão passando, tenho vontade de arrancar tudo aquilo e jogar uma poção mágica de cura em todos.
Meu coração também explode de vontade de dizer OBRIGADAAAAAA!!!! ESTOU VIVAAAAA!!!! Passei por tudo aquilo e estou aqui, bem. É como se eu tivesse olhando um vídeo da minha vida, de uns meses atrás onde eu só tinha vontade de ficar deitada, fraca, indo pro banheiro a cada 10 minutos vomitar. (SIM! dessa vez, eu cheguei a vomitar 23 vezes em apenas 1 dia.), nem sei o que, pq eu não comia. rsss
Meu coração também explode de sei lá o que... de tudo, de nada, de muito, de pouco... só sei que explode tanto, que choro igual criança.
As vezes acho que é choro de desabafo também, pois sou durona e durante todo o tratamento, não quis amolecer, tentava não ficar triste, não pensar em coisas ruins, não chorar, então esse choro também é um respiro, tipo soltando tudo que segurei aqui dentro. Saio de lá querendo VIVER!!!
Fico até orgulhosa de mim, pois essa parada de químio realmente não é brincadeira viu, só quem já fez sabe o que é, não dá pra explicar. Vejo o quanto fui forte pra aguentar aquele veneno. Agradeço ao meu corpo por aceitar o veneninho do bem e me ajudar nesse tratamento. Judia demaisssss do corpo, tadinho.
Semana que vem estarei lá de novo, sei que vou ficar triste, sei que não será fácil ver toda aquela cena dentro da sala de químio, mas não esquecerei de agradecer muito por eu estar bem depois de tanta coisa chata que passou.
E rezar muito, muito, muito pra Deus ajudar a dar forças pra quem está passando pelo tratamento agora, às famílias e que a cada dia descubram novos tratamentos mais eficientes para o câncer. AMÉM!!!
Termino esse texto... chorando...
OBS: Sempre coloco a foto primeiro, mas dessa vez fiz diferente para não assustar ninguém. hahahaha
Minha última sessão. Beeemmm inchada!
Então, eu ainda estou em tratamento. Faço de 21 em 21 dias, aplicação de AVASTIN.
Ele não é tão chato como os outros remédios quimioterápicos, mas judia do corpo do mesmo jeito, principalmente os rins. Mas vamos que vamos... sem parar, por 18 meses!!!!
Como eu não sinto nada, é tranquilo, vou pro COC (clínica), faço exame de sangue, passo pelo Dr. André, faço a aplicação que dura 45 minutos mais ou menos e volto pro trabalho. Super de boas.
Mas tem uma coisa, que pra mim é bem difícil nesses dias: a sala de químio.
Eu amo aquele lugar, as pessoas, as enfermeiras, os médicos, as atendentes, todos que trabalham lá. Aliás, sou APAIXONADA E GRATA por todos. (eu sei que elas estão lendo, então vou puxar o saco, quem sabe não ganho chocolate quando for semana que vem?! hahahahahaha), brincadeirinhas a parte, mas elas (e eles) sabem que amo mesmo!!!!
Voltando a sala de químio, das últimas 3 vezes que fui, não consegui controlar o choro. Um choro doído, choro de uma mistura de sentimentos... Vejo todas aquelas pessoas alí, passando mal, vomitando, algumas chorando de dor, fraquinhas, veia que não aparece, sono incontrolável, carequinhas, algumas felizes pois está acabando o tratamento, já outras sem esperanças nenhuma de vida. Familiares preocupados, que se viram de costas para seu filho/filha ou seu pai/mãe pra que não perceba que estão chorando. Vejo as enfermeiras chegando com aquele monte de saquinhos com químio, na mesma hora sinto aquele gosto horrível que jamais sairá da minha boca... aiiiiiiiiiiii, quanto sentimento rola, em apenas 45 minutos.
É como se um filme, passasse na minha cabeça, de tudo que passei com meus 2 tratamentos, com o tratamento do meu pai, pois tenho os 2 lados, né? De paciente e de acompanhante. Que por sinal, impossível dizer qual dói mais... se bem que acho, ou tenho certeza, que o pior é ser acompanhante, pois quando é com a gente, sabemos nosso limite e entendemos nossa dor. Com quem amamos, nos sentimos impotentes.
Vejo toda essa cena, e eu lá.. com os cabelinhos crescendo, com vontade de gritar pra todos que TUDO VAI DAR CERTOOOOOO!!!! Mas não dá. será que vai dar tudo certo mesmo? Pode ser que sim, mas é bem difícil da gente acreditar quando estamos no momento da quimioterapia.
É impossível achar que vai ficar tudo bem, que o enjoou vai passar, que o cabelo volta a crescer, que voltaremos a sentir cheiro e gosto das comidas, que conseguiremos dormir uma noite inteirinha, que nosso corpo irá parar de sentir dores, que vamos conseguir andar sem ficar cansados, que os amigos voltarão a falar com você normalmente e te chamar para fazer algo, que as pessoas na rua não vão mais te olhar com cara de dó, que tua respiração voltará ao normal, que tua vida poderá ser linda, é bem difícil de acreditar em tudo.
E meu coração começa a explodir de tristeza ao ver as pessoas assim, pois eu sei exatamente o que estão passando, tenho vontade de arrancar tudo aquilo e jogar uma poção mágica de cura em todos.
Meu coração também explode de vontade de dizer OBRIGADAAAAAA!!!! ESTOU VIVAAAAA!!!! Passei por tudo aquilo e estou aqui, bem. É como se eu tivesse olhando um vídeo da minha vida, de uns meses atrás onde eu só tinha vontade de ficar deitada, fraca, indo pro banheiro a cada 10 minutos vomitar. (SIM! dessa vez, eu cheguei a vomitar 23 vezes em apenas 1 dia.), nem sei o que, pq eu não comia. rsss
Meu coração também explode de sei lá o que... de tudo, de nada, de muito, de pouco... só sei que explode tanto, que choro igual criança.
As vezes acho que é choro de desabafo também, pois sou durona e durante todo o tratamento, não quis amolecer, tentava não ficar triste, não pensar em coisas ruins, não chorar, então esse choro também é um respiro, tipo soltando tudo que segurei aqui dentro. Saio de lá querendo VIVER!!!
Fico até orgulhosa de mim, pois essa parada de químio realmente não é brincadeira viu, só quem já fez sabe o que é, não dá pra explicar. Vejo o quanto fui forte pra aguentar aquele veneno. Agradeço ao meu corpo por aceitar o veneninho do bem e me ajudar nesse tratamento. Judia demaisssss do corpo, tadinho.
Semana que vem estarei lá de novo, sei que vou ficar triste, sei que não será fácil ver toda aquela cena dentro da sala de químio, mas não esquecerei de agradecer muito por eu estar bem depois de tanta coisa chata que passou.
E rezar muito, muito, muito pra Deus ajudar a dar forças pra quem está passando pelo tratamento agora, às famílias e que a cada dia descubram novos tratamentos mais eficientes para o câncer. AMÉM!!!
Termino esse texto... chorando...
OBS: Sempre coloco a foto primeiro, mas dessa vez fiz diferente para não assustar ninguém. hahahaha
Prestes a começar a segunda sessão de químio desse último tratamento.
Tive alergia de um dos remédios e estava morrendo de medo, chorei muito.
Sem cabelo, sem sobrancelha, sem cílios, sem maquiagem e de cama.
Minha última sessão. Beeemmm inchada!
Primeira sessão do último tratamento. Olha a quantidade de remédio!
Dia que coloquei o catéter, estava morrendo de medo, gritei, chorei, precisei de reforço da enfermeira Shirley na sala de cirurgia, mas depois fiquei feliz com o resultado!
Chega de furar veias!
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